PPT2010/2011

Curiosidades da Língua Portuguesa



ANO LETIVO 2014/2015


Alfacinhas vs Tripeiros

AS DIFERENÇAS de palavras e expressões entre as duas maiores cidades portuguesas, Porto e Lisboa, já não são novidade mas ainda podem confundir muitos alfacinhas.

Na Invicta.

  •          nem vale a pena pedir um "bitoque", porque a expressão pura e simplesmente não     existe;
  •          uma "imperial" chama-se "fino" e em vez de pedir uma "bica", o melhor é mandar vir um "cimbalino".  O fino tem a ver com o copo em que é servido, um copo alto. Imperial é uma marca de cerveja que se especializou na cerveja servida a copo;
  •          o 'cimbalino' também tem a ver com uma marca, Cimbali, de máquinas de café;
  •          para beber um garoto, peça um "pingo",
  •          "molete" é pão;
  •          uma sandes pronuncia-se sem o "s";
  •          para problemas de canalizações, o melhor é chamar o "picheleiro" (canalizador);
  •          uma "sertã" é uma frigideira;
  •          um "testo" a tampa da panela;
  •          um "boeiro" uma sargeta.
  •         um "bico de pato" não é nenhum prato típico do Norte, mas antes o tradicional pão de leite;
  •          para pendurar a roupa no armário usam-se "cruzetas"(cabides);
  •           um "aloquete" é um cadeado;
  •          "vem para a minha beira", quer dizer "vem para ao pé de mim";
  •        se alguém lhe perguntar as horas não diga "falta um quarto para as duas", mas antes "duas menos um quarto";
  •          numa loja de desporto, compre "sapatilhas" (ténis);
  •          no Porto, o WC é um quarto e não uma casa;
  •          "alcagoitas" ou "ervilhanas" são "amendoins";
  •          o "feijão-frade" tem o nome de "ciclista" ou "feijão-sacana";
  •         se alguém o mandar comer "alpista", não se ofenda, é apenas uma expressão, tal como "vianda", que signica "arroz";
  •          os miúdos são "gaiatos";
  •          "bogalho" é um  berlinde;
  •          "martins" é um  martelo;
  •         um gelado é um "rajá" e um "alperce" é uma "cabeça de cobra" ou "folha de rosa";



As diferenças sempre existiram, até no latim porque os romanos vinham de zonas diferentes.

                                                                                        12.05.2015




Ir além das suas sandálias.




 


Esta expressão usa-se quando alguém dá um palpite numa área que não é a sua, achando que tem conhecimento para algo quando não o tem.

 A origem deste dito remonta ao escritor latino Plínio (23-79 d.c.), que imortalizou o pintor grego Apeles, habitante da Jónia no século IV. Plínio contava que Apeles tinha o hábito de exibir os seus quadros à porta do ateliê e de se esconder, ouvindo os comentários dos que por ali passavam.


 Certa vez, passou um sapateiro, que criticou a forma como uma sandália estava pintada. No dia seguinte, ao passar por ali de novo, o sapateiro notou que a pintura da sandália tinha sido alterada. E, de ego inchado, teceu nova crítica, desta vez à perna da figura. Então Apeles saiu do sítio onde estava escondido e disse: "Não vá o sapateiro além das suas sandálias". Como quem diz: cada um fale apenas do que sabe.
                                                                                               Revista 27/Dez/14



Todo o bom alentejano "abala", para um sítio qualquer, que normalmente é já ali.




Eu - Abalei às 15h…
Ele - Tu o quê??
Eu - Abalei…
Ele - O que é isso?
Eu - Ora, fui-me embora…
Todo o bom alentejano “abala”, para um sítio qualquer, que normalmente é já ali. O ser já ali é uma forma de dizer que não é muito longe, mas  está no mínimo a cerca de 30km. Só um alentejano sabe ser alentejano!

Um alentejano “amanha” as suas coisas, não as arranja. um alentejano vai “à do ou à da…” não vai a casa de…. um alentejano “inteira-se das coisas” não fica a saber… . 

No Alentejo não se deita nada fora, “aventa-se” qualquer coisa e come-se “ervilhanas” ou “alcagoitas” (amendoins) e “malacuecos” (farturas). Os alentejanos não espreitam nada nem ninguém, apenas se “assomam”… E quando se “assomam” muitas vezes podem mesmo ter dores nos “artelhos” (tornozelos)!

As coisas velhas são “caliqueiras” e muitas vezes viaja-se de “furgonete” (carrinha de caixa aberta), algo que pode deixar as pessoas “alvoreadas” (desassossegadas). Quando algo não corre bem, é uma “moideira” (chatice) e ficamos “derramados” (aborrecidos) com a situação, levando muitas a vezes a que as pessoas acabem por “garrear” (discutir) umas com as outras e a fazerem grandes “descabeches” (alaridos).

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SABIA QUE O TERRAMOTO DE LISBOA É UM DOS GRANDES RESPONSÁVEIS POR MUITAS DAS EXPRESSÕES QUE AINDA DIZEMOS HOJE EM DIA?
MUITAS DAS EXPRESSÕES QUE OUVIMOS NO DIA A DIA TÊM DEZENAS (E ATÉ CENTENAS DE ANOS).

Contamos aqui a origem de algumas das expressões mais usadas pelos portugueses:

1- O primeiro milho é dos pardais. - Quer dizer que os mais fracos aproveitam as primeiras vantagens.
ORIGEM: No tempo dos romanos era costume os agricultores oferecerem os primeiros frutos às aves. Acreditavam que eram as aves que levavam as oferendas aos deuses.
Esse hábito transmitiu-se de geração para geração. No séc XVI - quando o milho chegou à Europa - a expressão evoluiu.
Em Portugal, o pardal era o símbolo de todas as aves e a cultura do milho era abundante.


2- Ir para o maneta. - significa estragar-se; desaparecer; morrer.
ORIGEM: Conta-se que na época da invasão de Portugal por parte dos franceses, um general, chamado Loison, tinha perdido um braço numa das batalhas anteriores. Ele era o responsável pelas torturas aos presos e tinha, inclusivamente, causado várias mortes.
Por ser tão terrível nas torturas que executava surgiu um medo popular do general Loison. Mas ninguém o tratava por esse nome. Chamavam-lhe o maneta.
Quando havia o perigo de se ser capturado ouvia-se logo o conselho: "Tem cuidado, que ainda vais para o maneta".
Duzentos anos depois ainda a expressão é, habitualmente, utilizada.

3- À grande e à francesa. - significa de forma luxuosa.
ORIGEM: Jean Andoche Junot ajudou Napoleão Bonaparte durante a primeira invasão dos franceses ao território português. Jean Andoche Junot viveu em Portugal durante alguns anos e sempre de forma extremamente luxuosa.
A imaginação, a observação e a sabedoria populares encarregaram-se de criar a expressão.

4- Ficar a ver navios. - quer dizer não ter o que se deseja; decepção.
ORIGEM: Em 1578, D. Sebastião perdeu a vida em Alcácer Quibir, em Marrocos mas muitos portugueses não quiseram acreditar nisso. Por isso, era comum encontrarem-se "mirones" no Alto de Santa Catarina a olhar para os navios, à espera que o malogrado rei regressasse. O povo logo começou a criticar, a dizer mal daqueles que 'iam ver navios' até que a expressão se implantou na sociedade.


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